O Tempo que Foge



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis.... Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas. Detesto fazer acareação de desafetos. ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
...quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial.

"O Tempo que Foge", de autoria de Ricardo Gondim.
Circula pela internet texto semelhante com o nome de "O Valioso Tempo dos Maduros", cuja autoria é atribuída indevidamente a Mário de Andrade ou a Rubem Alves. O verdadeiro autor é "Ricardo Gondim", o texto está publicado em seu livro "Creio, mas Tenho Dúvidas".

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