{Resenha} O triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto (HQ)

Por Ingrid Faria

"Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das coisas do tupi, do flok-lore, das suas tentativas agrícolas (...) O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. (...) Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? (...) Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções. A pátria que quisera ter era um mito; um fantasma criado por ele no silêncio de seu gabinete."

Policarpo Quaresma é um personagem de Lima Barreto, funcionário público, patriota e ao meu ver, louco. Um clássico da literatura uma vez que, mostra como o Policarpo era apaixonado pela pátria e queria ver todos nós, brasileiros, apaixonados também.

Temos várias partes engraçadas no livro, como quando Policarpo vai ao tribunal do júri para adotar o Tupi Guarani como língua oficial do país e também quando decidi viver da agricultura.

Um louco? Com certeza, mas a história nos traz uma reflexão positiva sobre o país. Até que ponto fazemos algo para enaltecer a pátria? Precisamos mesmo ter vergonha do país? Nossa nação realmente é feita por preguiçosos?

Li esse clássico em HQ, adquiri na Estante Virtual e veio novinho. Aliás, mais uma compra que deu certo. A Editora Ática está de parabéns pela edição, diagramação e principalmente, pelas ilustrações. O papel também ficou excelente para uma HQ.

2 comentários

  1. Policarpo Quaresma me lembra um outro personagem da literatura brasileira, só que bem mais moderno (talvez inclusive inspirado nele) que é Bonifácio Ponte Preta do inesquecível Stanislaw Ponte Preta, o heterônimo de Sérgio Porto (1923-1968). Falo isso para sublinhar o fato de que há dezenas de maravilhosas personagens da literatura brasileira esquecidas e sepultadas pela pior das ignorâncias: aquela que não recupera a informação porque nunca a conheceu. Parabéns por lembrar do velho Policarpo. A pátria agradece.

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  2. Ingrid, mas feliz do que ver jovens lendo clássicos, é ver eles lerem e gostarem! Por esse motivo adorei sua escolha para resenha, e como sei que você tem otima influencia em casa, espero sempre ver esse tipo de escolha aqui! Me enche de orgulho!
    Ainda não li nenhuma HQ de livro, mas quero logo ler alguma!

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