RESENHA: Pântano de Sangue - Pedro Bandeira

Por Ingrid Faria

Dando continuidade ao meu projeto pessoal de ler todos os livros do Pedro Bandeira esse ano, trago a vocês a resenha de um livro bom, mas não magnífico. Me lembrou stranger things em muitos momentos. E isso não é um defeito, amo a série. O problema é não ter amado tanto "Pântano de Sangue" quanto eu gostaria.

Nesse livro, Pedro Bandeira nos presenteia com a aventura dos Karas - Crânio, Calu, Chumbinho, Magrí e Miguel - rumo ao Pantanal.
Em um terrível dia chega a notícia dentro de sala de aula que o professor de matemática foi assassinado durante um assalto. Enquanto todos lamentam, Crânio tem certeza que não foi exatamente isso. Principalmente pelo histórico de vida de seu professor.  

"Crânio lembrava-se da genialidade do professor e de sua estranha teoria: para o professor Elias, a matemática era a única ciência verdadeiramente humana. Como? Para ele, isso era claro: a natureza pode criar seus fenômenos físicos, químicos, biológicos e geográficos independentemente da ação do homem, mas a natureza não cria teoremas, equações, nem logaritmos. Isso são criações humanas."

Ao contatar os Karas para resolver essa missão, ele se vê sozinho e na obrigação de descobrir o assassino. Dentro dele é como se tivessem trucidado alguém de sua família.

Crânio, como era esperado, acaba arrastando a turma com ele. Ao chegar lá, eles se deparam com problemas ainda maiores. E é aí que o Pedro Bandeira chega com a genialidade na escolha do tema; preservação da natureza, da cultura indígena, tráfico internacional de drogas e de armas são alguns dos temas mais trabalhados. Ou seja, o autor trabalha temas não bem tratados com os adolescentes (seu público alvo) e isso me causa vontade de continuar lendo suas obras.

"Às vezes penso que o consumo de drogas é muito bem visto pelos poderosos. É fácil manipular um drogado. É fácil controlar um jovem com a cabeça cheia de fumaça ou as veias cheias de veneno. Difícil é controlar os anseios e as esperanças de uma juventude de cabeça limpa e nariz em pé."

Infelizmente, alguns pontos precisam ser criticados. O primeiro deles é que eu não consigo achar normal como é tratada a paixão adolescente na turma dos Karas. Três dos quatro meninos são apaixonados pela Magrí sendo que todos eles não passam de pré-adolescentes. Vai entender.
A segunda coisa é o jeito que é tratada a mente fantasiosa de um pré-adolescente. Mas para me entender você precisa ler suas obras.

Independente de sua idade Pedro Bandeira não faz mal a ninguém. Como também é sempre bom ter um livro de aventura fantasioso para distrair a cabeça.

Ficha técnica: 
190 páginas
Editora Moderna
5ª edição 
Publicado em 1987

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