Carta para uma avó falecida

Querida vovó, 

Já faz 9 anos que eu não sei mais o que é passar os almoços de domingo na sua casa. Naquele tempo eu ainda era uma criança e acreditava que a senhora seria eterna. Nunca imaginei que a senhora não sairia daquele hospital viva. Eu esperava que assim que saísse, pudesse voltar a me contar histórias e comer carambola comigo. Ainda me lembro de sentar na bancada da cozinha e escutar as suas histórias que me faziam rir até doer a barriga. Me recordo de quanto eu gostava da sua fritada de bacalhau, do mp3 cor de rosa que me deu, das histórias que escreveu para mim. Sim eu posso dizer para todos que alguma escritora alguma vez escreveu uma história para mim. Vovó, eu falo com tanto orgulho da senhora. Uma escritora de bem com a vida (pelo menos passava sempre um sorriso sincero para mim), que me ensinou a costurar, bordar, de ler... Assistia comigo as novelas do SBT, incluindo rebelde que a minha mãe não gostava. E na realidade eu nem prestava atenção direito, mas gostava de desenhar para minha avó perto dela. 
Eu senti que algo estava errado quando vi a ambulância chegando para buscá-la e levá-la correndo ao hospital, eu já tinha participado de simulações de primeiros socorros, era madura o suficiente para saber que algo grave tinha acontecido. Sim, eu sabia que a senhora poderia vir a falecer mas eu não acreditava. Pelo contrário, eu achava que voltaria e me diria que estava tudo bem, mas desde quando a senhora foi a ambulância eu não falei mais com a senhora.
Eu orei, falei para Jesus curá-la, mas Ele a queria perto dEle. Então, como uma boa menina eu aceitei. Até porque se eu não aceitasse o que eu faria, eu fiquei triste. Ninguém fica feliz com a morte de ninguém. Ainda mais de alguém como a senhora, que cuidava de mim. Deixava eu abrir e fechar todos os livros da estante, trocar de canal no melhor momento da novela e me enchia de biscoitos. 
Acho estranho o fato de estar escrevendo para alguém já falecido, mas eu precisava contar para alguém o quanto eu lembro. Aparentemente uma menina de 7 anos não se lembra de muita coisa, mas eu lembro o suficiente para sentir muito a sua falta. Ah vovó, é errado chorar? Você dizia que eu era menina forte.
Ingrid Faria
Sua neta

12 comentários

  1. Que lindo =( E triste.
    Imagino o peso que deva ser. Minha avó é a melhor pessoa do mundo para mim.

    vidaemserie.com

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  2. Perdi minha avó pouco antes de completar 15 anos.
    É uma dor inimaginável, porque sempre, sempre vamos ter essa ilusão de que as pessoas mais velhas continuarão ali enquanto crescemos. Mas as vezes o destino prega peças e só precisamos aceitar, somos deixados com a saudade.
    Não ache estranho escrever para alguém que já partiu. Pense que, de onde ela está, ela vai ler sua carta e saber exatamente o que está sentindo.

    Fernanda Oliveira | Meraki

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  3. Oi Ingrid, que texto mais lindo e emocionante. Sinto muito pela sua perda, eu também perdi minha avó, mas foi mais recente, foi há dois anos atrás e sinto muito a falta dela também. Eu entendo como é esse sentimento de vazio, pois ela também era muito importante para mim. Mas vamos pensar que agora elas estão em um lugar melhor, mais calmo e sem preocupação, e claro, estão olhando por nós!

    Beios

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  4. To chorando aqui que nem criança! Sei como te sentes!
    Eu falo com a minha vó enquanto to dirigindo, faz eu me sentir bem!

    Bju

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  5. Ola!
    Que carta linda e cheia de amor! Sinto muito por sua avó, mas com certeza ela deve ter muito orgulho de você.
    Beijos

    Lumartinho.Blogspot.com.br

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  6. Oiii!

    Eu fiqui tão emocionada com esse post <3
    A sua carta está linda mesmo com esse tom de tristeza, sei que é clichê e que a saudade se tranforma em lagrimas muitas vezes, mas ela está olhando para ti em todos os momentos.
    Esse ano eu perdi meu avô e é tão ruim e triste, sentimos falta dos pequenos detalhes que antes nem davamos bola né?

    Enfim, força!!


    Beijinhos,
    entrechocolatesemusicas.com

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  7. Olá!

    Emocionante! Eu ainda tenho minha vó viva, então não posso entender sua perda. Mas vejo um lampejo de alegria na sua carta, um saudosismo dos bons tempos que você viveu com ela... linda carta!

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  8. Olha eu achei lindo o seu texto, porque eu também tinha uma vó muito querida no qual eu era muito apegada. Ma ela faleceu quando eu tinha uns 10 anos de idade pra vc ter uma ideia. A gente via novela juntas. Ela sempre conversava comigo, enfim...E tinha uma outra vó também que sempre fazia almoço de feriado e fim de semana para toda familia. Era uma delicia reunir toda a familia sabe? Mas depois acabou tudo. É muito triste isso mesmo. Agente se recorda de momentos que já passaram e o pior é quando éramos ainda crianças. Porque as lembranças são bem vagas. Enfim...Gostei muito do sentimento que colocou em seu texto. Parabéns!

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/09/resumo-do-mes-agosto.html

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  9. Muito tocante seu texto Ingrid. A morte de alguém que amamos não é fácil, principalmente se for de alguém que cuida da gente. Sei como se sente, mas infelizmente não podemos fazer nada, apenas conservar as lembranças.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  10. Muito tocante seu texto Ingrid. A morte de alguém que amamos nunca é fácil, não importa quanto tempo passe, principalmente se for de alguém que cuidou da gente. Infelizmente não podemos mudar as coisas, só podemos conservar as lembranças. Sei como se sente, mas tenho certeza que sua avó está olhando por você.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  11. Olá Ingrid!
    Que texto lindo, e meus olhos já lacrimejaram logo no inicio. Imagino como deve ser perder um ente querido ainda mais sendo aqueles que nos fazem tão bem que estão ali sempre presentes em nossa vida. A morte infelizmente é grande certeza dessa vida e não podemos fazer absolutamente nada. O que fica são as memórias felizes que passamos ao lado delas!

    Beijos!
    http://lovesbooksandcupcakes.blogspot.com.br//

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  12. Que lindo o seu texto, a perda de alguém que amamos com certeza é muito dolorosa, e só o tempo traz a paz que precisamos nesse momento, moro com minha avó e minha mãe e já vivi vários desses momentos que você falou no seu texto belíssimo. Sei que já passou muito tempo, mas desejar forças nunca é demais.

    Beijos,
    http://marcasliterarias.blogspot.com.br/

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