{Resenha} A última pedra - Rogério Formigoni

É muito difícil examinar um livro que não se propõe a fazer literatura do ponto de vista estritamente literário.  O livro, de autoria de um Bispo da Igreja Universal liberto das drogas é por ele utilizado como ferramenta evangelística instrumentalizada pelo compartilhamento de sua história – verdadeira – de sofrimento e libertação.

E aí está sua virtude literária. É uma história verdadeira, trazida em uma edição de baixo custo de 106 páginas da Unipro EDITORA para alcançar milhões. A capa fala em 1,6 milhão de cópias.
Narrando seu depoimento na primeira pessoa o que mais impressiona é que o autor não procura melhorar seu perfil nem traz desculpas ou justificativas para suas próprias escolhas:
“Eu sou Rogério Formigoni, mas antes de tudo uma pessoa comum, como você que escolheu ler esse livro. Como sou feito de carne e osso, acabei sendo tentado pelas coisas deste mundo.” (...) “Todas as minhas escolhas foram feitas por vontade própria.” 


Não sei o que pensam os professores de letras ou os críticos literários sobre a singularidade e mesmo validade desse tipo de depoimento; se lhe atribuem valor literário.
Eu atribuo. Há na história não contada de cada um de nós fatos e detalhes únicos cuja revelação será sempre impactante porque são verdadeiros envolvem uma experiência pessoal real apresentam uma pessoa sem maquiagem, o homem nu.
Só Formigoni sabe o quanto foi ou não foi verdadeiro em seu depoimento.  Mas, e aí outra vez está a literatura e seu valor: se consegue convencer aos que o lêem de que está falando a verdade é inegavelmente um escritor de verdade e fez literatura de qualidade.

A mensagem que transmite, o Jesus Cristo que apresenta, envolve uma experiência pessoal espiritual subjetiva que não é possível julgar como algo genuíno senão passando por ela, o que transfere a conversa da literatura para a experiência pessoal propriamente dita. Aí é com cada um. Em outras palavras, aqui não é possível aquilatar o mérito do discurso; nem vem ao caso. O que se avalia do ponto de vista estritamente literário é a beleza do discurso, sua qualidade estética, inegavelmente associada ao fato de narrar na primeira pessoa uma história real de superação.   

O autor não é um herói dos quadrinhos. Ele é a personagem e ela é real. Talvez seu discurso cumpra um ideal da literatura: compartilhar de modo sedutor a experiência real do outro, ao ponto de torná-lo aceitável, desejável, parte da nossa própria experiência. Talvez isso seja evangelizar.
Acho que a proposta de Formigoni é mais simples, mais imediata, iniciar o processo de libertação do leitor no exato momento em que a leitura se inicia. Dá a impressão de querer sair do livro e conversar pessoalmente com aquele com quem não tem como não se identificar. No fim do livro, chega a disponibilizar seu Email pessoal para continuar conversando: rogerioformigoni@r7.com
Mais pessoal impossível. Isso não é literatura? Isso não tem valor literário? Literatura evangelística é folhetim sem valor? E a literatura de cordel? Não há convergência entre elas? Eu, pessoalmente, reconheço qualidade literária até em bula de remédio bem escrita, principalmente quando cumpre sua finalidade, o que parece ser o caso da “bula” examinada.    

Cesar Faria

10 comentários

  1. Olá!

    Olha, apesar de não ser fã desse cara, de acordo com a premissa, pra mim é literatura sim. Não podemos diminuir a qualidade de uma obra só porque o cara de religião a ou b. Não o leria por ser dele, um cara que não me transmite confiança, mas, vejo esse livro como um exemplo do que as drogas fazem. Vai da pessoa decidir se segue ou não.

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  2. César eu ainda não tive contato com esse livro, na verdade não conheço o autor também, mas só pelo que acabei de ler eu tenho certeza que é uma obra literária sim, e com um grande papel social. Eu acredito que a verdadeira literatura não rótulos e é livre de preconceito. Me interessei pelo livro, espero ler em breve.
    E como em suas outras resenhas ou criticas literárias, seu texto ficou impecável.

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  3. É a primeira vez que tenha contato com este livro. Fiquei curiosa para saber melhor de seu enredo, parece ser forte, o tipo de leitura que prende.
    Beijos,
    Gabrielle Garcia - ABCD dos Livros.

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  4. Oie! Essa é a primeira vez que vejo algo do livro, e com certeza ele é uma obra literária sim. A premissa do livro é bem interessante, e também pode chocar muitos leitores devido a forma como é abordado. Não sei se leria, mas mesmo assim, reconheço o potencial do livro.

    Beijos,
    Dai | www.cheirodelivronacional.com.br

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  5. Não conhecia o livo, mas ele não se enquadra no que costumo consumir. Mas claro que sendo uma leitura prazerosa sempre vale a pena tentar. Vou guardar a dica.

    LETRAS COM CAFEÍNA

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  6. Olá!
    Não conhecia o livro, e a história parece ser muito boa, mas não é meu tipo de leitura.
    Acho esses livros válidos sim, deve ser um depoimento forte.

    Beijos!
    http://lovesbooksandcupcakes.blogspot.com.br//

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  7. Acho que literatura é tudo que nos vem para acrescentar, refletir e transmitir algo, então sim, eu consideraria esse livro como literatura. Adorei a sua resenha, mas não é um livro que eu leria, porque não é algo que chame a minha atenção. Mas o relato parece ser interessante e bem emocionante.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  8. Nunca tinha lido nada sobre esse autor, confesso que li vários livros evangélicos e tem a mesma didática que nos fazem sentir mais perto dele e de Deus. Uma das minhas autoras favoritas é a Eveline Ventura, pois foi ela que me deu um pontapé na literatura gospel.
    Beijos
    Eu e meu vício chamado Leitura

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  9. Oie, tudo bom?
    Curto leituras baseadas em experiências reais, porém não me interessei muito porque discordo de muitas coisas da doutrina dessa igreja. Acredito que a leitura é válida para leitores desse nicho.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  10. Olá. Confesso que não tenho curiosidade de ler este livro ou relacionado a algo. Mas, é uma leitura válida para quem gosta, e literatura porque não? Enfim.
    Beijos e muito sucesso.

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