As Virgens Suicidas - Livro e Filme

Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida. 
Adaptado ao cinema por Sofia Coppola, publicado em 34 idiomas, o livro de estreia de Jeffrey Eugenides logo se tornou um cult da literatura norte-americana contemporânea. Não por acaso: essa obra de beleza estranha e arrebatadora, definida pela crítica Michiko Kakutani como “pequena e poderosa ópera no formato inesperado de romance”, revela-se ainda hoje em toda a sua atualidade.

As Virgens Suicidas
Jeffrey Eugenides
Ano: 2013 / Páginas: 232
Editora: Companhia das Letras




“E assim aprendemos sobre suas vidas e colecionávamos lembranças de tempos que não vivemos. Sentimos a clausura de ser uma garota, como deixava sua mente ativa e sonhadora e como aprendia quais as cores que se combinam. Sabíamos que as meninas eram mulheres disfarçadas que entendiam o amor e até a morte e nosso papel era apenas criar o tumulto que as fascinava. Sabíamos que elas sabiam tudo sobre nós e que nunca desvendaríamos seu íntimo.”



Jeffrey Eugenides nos traz uma proposta diferente em seu livro de estréia, revelando a conclusão da história já em seu titulo e contando toda ela sem a sua versão verdadeira. Com uma narrativa fragmentada e coletiva a história é apresentada por personagens secundários que não tem conhecimento real dos fatos ocorridos.

Com uma premissa interessante, o suicídio de cinco irmãs, jovens belas e com um futuro brilhante pela frente, a historia é contada pelos garotos vizinhos da família e totalmente apaixonados pelas meninas, ou melhor pelo áurea de mistério que elas emanam. O que a principio a narrativa tornou a história muito envolvente, mas que no decorrer do livro acabou me incomodando um pouco, principalmente por ter levado a construção superficial das personagens principais, as meninas Lisbon.

Meninas Lisbon


Adoraria ler a historia narrada pelo ponto de vista delas. Entender os motivos de Cecilia, que na minha percepção da leitura foi a unica que não consegui entender os motivos que a levaram a se machucar de tal forma. Quanto as outras meninas dá pra sentir que estão sendo sufocadas pela superproteção da mãe e seu fanatismo religioso entre outras dificuldades comuns a adolescência.

“Essa obrigação de ser feliz paradoxalmente nos deixa cada vez mais infelizes.”

O autor inseriu um personagem objeto na historia, acho que acabei de inventar isso, ele usa a casa dos Lisbons para representar a degradação gradativa da família, com o passar do tempo a casa acaba se tornando uma personagem de destaque na história, já que as meninas enclausuradas aparecem cada vez menos no mundo real e tangível dos garotos.

Cecilia


Sobre o filme, foi uma das adaptações mais fiéis que tive a oportunidade de assistir. Conseguiu passar bem a essência da história original. Devo admitir que o livro é melhor, mas o filme tem seus méritos, com a direção primorosa de Sofia Coppola, a obra é de uma beleza impar, a fotografia e a manipulação das cores casou muito bem com o ar melancólico do filme e a trilha sonora totalmente fiel a proposta apresentada no próprio livro, belissíma.




Os aspectos que me incomodaram não poderiam ser diferentes, pois já vieram da obra de Jeffrey Eugenides, mesma narrativa fragmentada e coletiva, o que levou a construção superficial dos personagens, o que não poderia ser diferente, visto a semelhança entre filme e livro. A grande verdade é que fica a sensação de que o mistério das irmãs Lisbon continua mesmo após a ultima página do livro e mesmo após os créditos finais do filme. Impossível não se envolver nos encantos das Lisbons e se perturbar ao perceber que jamais saberemos quem elas realmente eram ou o que a levaram ao ato extremo contra a própria vida.


“No fim das contas, as torturas que despedaçaram as meninas Lisbon apontavam para uma simples e fundamentada recusa em aceitar o mundo que lhes tinha sido entregue, tão cheio de falhas.”

Enfim, uma obra ousada,  instigante, original, bela e triste.


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