Rockfeller [Resenha]

Rockfeller
Alexandre Apolca
Ano: 2015 / Páginas: 184
Editora: Nova Paris


Sinopse: Beto Rockfeller, que possui uma leve versão da síndrome da mão alheia, sonha em fazer sucesso com sua banda de rock. Após ser preso injustamente em um protesto na Avenida Paulista, é liberado e orientado a deixar São Paulo. Ele e sua desconhecida banda — cujos integrantes são: Yakult, Gringo e Santiago dos Santos — decidem se mudar para a mística São Thomé das Letras, a Machu Picchu brasileira. É exatamente nessa aconchegante cidadezinha mineira que começa uma trama estonteante e dinâmica — repleta de aventuras, romances, crimes e mistérios. 

Rockfeller se envolve com Anita Andrade, a namorada de um dos seus amigos. Esse triângulo amoroso é surpreendido com a súbita aparição de uma terrível enfermidade. Ele, desconcertado, se vê diante de uma difícil decisão, que mexe brutalmente com seus princípios morais e o pior, Rock pagará caro por sua indigesta decisão, seja ela qual for. Além disso, é obrigado a conviver com seus fantasmas, desilusões e psicoses e ainda tem de se acostumar com um enigmático corvo que o persegue. 

No entanto, após muito tempo, Rockfeller consegue uma segunda chance de ser feliz no Rio de Janeiro, as suas desventuras e psicoses ressurgem, e isso pode levá-lo a uma irreparável situação em que nem tudo que se vê pode ser real...



Não vou contar a história do livro, pois a sinopse está bem completa e eu não gosto de resenhas que contam a história toda do livro. Então vamos direto para as impressões que tive ao ler a obra. Rockfeller foi uma enorme surpresa entre os nacionais que li esse ano, achei o escritor Alexandre Apolca muito habilidoso e criativo na elaboração do enredo desse livro, criou um verdadeiro drama psicológico, cheio de reviravoltas, complexo e viciante. 

Seus personagens não fazem o tipo cativante, pelo contrário, não consegui me identificar com nenhum deles, apenas Yakult com sua amizade sincera ganhou um pouco da minha simpatia. Por muitas vezes me pegava tentando entender as escolhas erradas que o protagonista fazia. Isso me fez gostar menos do livro? De forma alguma, achei que tornou tudo mais interessante e imprevisível. Principalmente quando se trata de Rockfeller, um personagem complexo e cheio de esquisitices, como a síndrome da mão alheia e delírios que não consegui distinguir se eram reais ou não. Para complicar a vida nada fácil do protagonista, as aparições do corvo se tornam mais perturbadoras no decorrer da história, isso o autor soube conduzir com primazia.



"O tempo é a estrada que nos trouxe para a vida e que, um dia, nos levará para a morte."

A obra é bem completa, cheia de referências da música e da literatura, com um toque de Edgar Allan Poe, um quê de Chuck Palahniuk (assisti Clube da Luta essa semana e não consegui evitar a comparação), recheada de reviravoltas, mistérios, adrenalina e suspense. Com enredo bem amarrado, onde realidade, exoterismo e imaginação se misturam, criando uma atmosfera que prende o leitor do inicio ao fim, Rockfeller é sem dúvida um grande livro.


A capa do livro é linda, condiz com o conteúdo do livro, a diagramação está ótima, mas a separação das palavras me incomodou um pouco, achei que foi descuido da editora, fora isso não encontrei erros de revisão. Recomendo bastante a leitura, um livro cheio de atrativos, com um final imprevisível e brilhante! É apenas o segundo livro do autor e pelo talento que deixou claro ter, espero que venham muitos outros. 


"A vida é assim, feita de inúmeros encontros e despedidas. Quando somos jovens isso assusta, mas, com o tempo, nos acostumamos, o desapego é mais uma sádica lei da vida."



Alexandre Apolca nasceu em 1985 na cidade de Porangaba, passou parte de sua vida em Campinas, e atualmente mora em Tatuí, todas no interior de São Paulo. Formou-se em Química Industrial pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). É autor de LEGNA (Editora Dracaena, 2012) e ROCKFELLER (Editora Nova Paris, 2015).

8 comentários

  1. Oiii Lila, como vai gatinha?
    Confesso que dessa vez a obra em si não despertou meu interesse, achei bem sem graça a premissa e o nome dos personagens, me lembrei de algumas coisas, mas vou indicar para uma penca de amigos que iriam amar. Parabéns pela resenha.
    Beijinhos

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  2. Achei interessante a premissa da história e adorei o fato de ter referências ao mundo da música e às obras de Poe, mas, diferente de você, eu adoro resenhas que contam a história do livro porque assim consigo ter uma decisão mais concreta se realmente lerei ou não a obra. Porém, a sinopse é bem instigante, então, já vou adicionar ao meu Skoob e espero gostar também!
    Bjss
    http://olhoscastanhostambemtemoseufascinio.blogspot.com.br/

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  3. ele tem uma escrita deliciosa mesmo, devorei minha edição em poucas horas de leitura... eu curti Rockfeller justamente por ele não ser o protagonista padrão, todo certinho e talz... não, ele é bem cru, real, e se fode em várias situações... eu não sabia se ria dele ou ficava com pena, em alguns momentos até achei merecido ele passar por aquilo... enfim... foi um misto de sentimentos... e eu amo personagens que me deixam nessa confusão... Apolca tem um grande talento... ^^
    bjs...

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  4. Olá =) Não conhecia esse livro. Mas pela sua resenha ele parece ser interessante. Adorei o personagem não ser perfeito e fazer escolhas erradas, isso o torna mais real e interessante. Beijos' www.sejaamavel.blogspot.com.br

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  5. Gente, o que é síndrome da mão alheia? Apesar de pela sinopse já notar que não gosto das atitudes do protagonista,fiquei bem curiosa.
    Bjs

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  6. Oi! Fiquei me perguntando o que seria síndrome da mão alheia. Mas achei a história bastante interessante.
    Eu não costumo colocar sinopse nas minhas resenhas, gosto de eu mesma escrever sobre a história. Acho que fica um pouco repetitivo quando o blogueiro coloca as duas coisas, a não ser quando a sinopse não diz nada sobre o livro, isso acontece também.. rs
    Beijos,
    sigolendo.com.br

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  7. Fiquei curiosa sobre o desenrolar da história, parece que é um livro muito bom. Dando uma de xereta, pra quem perguntou aí em cima, a síndrome da mão alheia é uma desordem neurológica em que a mão da pessoa parece que tem vida própria, ela começa a fazer coisas sem que a pessoa perceba...

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  8. Olá Aline, tudo bem?

    Confesso que não conhecia essa obra e por sua resenha, Rockfeller parece ser uma obra interessante. Não conhecia essa síndrome da mão alheia, é uma novidade para mim. Bjuss

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